segunda-feira, 7 de agosto de 2017

9 de Agosto - Santa Teresa Benedita da Cruz

 “O lugar de cada um de nós depende unicamente da nossa vocação. A vocação não se encontra simplesmente depois de ter refletido e examinado os vários caminhos: é uma resposta que se obtém com a oração” (Santa Teresa Benedita da Cruz).
"Duas foram as dimensões que animaram a vida desta filósofa, santa e mártir do século XX: a profunda demanda da verdade e a força da Cruz, ou melhor, a verdade enformada pela radicalidade da cruz, que é para uns loucura e para outros sabedoria e poder de Deus.

Nas suas palavras: «Uma ‘Ciência da Cruz (Scientia Crucis) podemos obtê-la somente quando somos capazes de seguir a Cruz até ao fundo. Disto fui persuadida desde o primeiro momento e disse de coração: “Ave crux, spes unica”»."

RESUMO BIOGRÁFICO:

"Edith Stein nasceu de uma família judaica no dia 12 de Outubro de 1891, em Breslau, Alemanha, sendo a mais nova dos onze filhos de Siegfried com Auguste. Todavia, quatro dos seus irmãos morreriam ainda na infância e o seu pai, Siegfried, falecia quando Edith tinha apenas dois anos, ficando a sua mãe Auguste a tomar conta da família.

Embora fosse sempre excelente aluna, aos 14 anos comunicou aos professores, que se lhe opuseram, e à família que iria abandonar os estudos. Foi então viver para Hamburgo com a irmã Else. Durante esse tempo afastou-se cada vez mais do “Deus de Abraão, de Isaac e Jacob”. De tal maneira se distanciou que, livre e conscientemente, decidiu não rezar mais, embora a habitasse um desejo profundo pela verdade.

O seu propósito de deixar de estudar não durou muito e passado um ano voltou para Breslau e para o colégio. Simpatizante dos movimentos femininos da época, Edith termina o bacharelato no colégio em 1911, tornando-se uma das primeiras universitárias da Alemanha.

Considerando-se ateia, que o foi durante dez anos, estudou germânicas, história e psicologia. Mas desiludida com esta ciência, ruma em 1913 para Göttingen, onde ensinava o fundador da fenomenologia, Edmund Husserl, do qual se tornaria discípula e depois assistente. Aí conhece Max Scheler e Adolf Reinach, discípulos daquele. Neste círculo começa a estudar filosofia e fica impressionada com a objectividade da fenomenologia e com o seu método para conhecer a verdade, que a própria tanto desejava.

Em 1915 Edith conclui a licenciatura, mas a 1.ª Guerra Mundial estava em pleno desenvolvimento, por isso interrompe a sua carreira académica e oferece-se como voluntária num hospital militar. Encerrado este, acompanha Husserl para a Universidade de Freiburg, onde recebe o doutoramento em 1916 com uma tese sobre a “Empatia”, sendo-lhe atribuída a nota de “summa cum laude’”. Torna-se a primeira mulher doutorada em filosofia da Alemanha.

O tempo da guerra marcará ainda a vida de Edith. Depois da morte em combate do amigo Reinach, vem a conhecer a sua mulher, que a impressiona pela calma e paz, tudo porque a sua força lhe vinha da fé em Jesus e da sua cruz, como ela mesma havia confessado a Edith.

Stein começa a ler o Novo Testamento e no ano de 1918 separa-se de Husserl por considerar que a sua filosofia se torna mais cada vez mais estreita. Volta a Breslau e sucede a Martin Heidegger na universidade. Edith tenta uma cátedra em filosofia mas nunca lhe foi dada; e mesmo Husserl e Heidegger a criticam por tal pretensão, pois era mulher.

Em 1920 dá-se um acontecimento decisivo para a conversão de Edith Stein. Ela que se encontrava em crise por não encontrar o sentido último da sua vida, vai passar férias com uma amiga católica, Hedwig. Estando uma tarde só em casa dela, retirou da estante a biografia de Santa Teresa de Jesus. Leu-a numa noite e no fim concluiu que estava diante da verdade.

Posteriormente comprou um catecismo católico, o qual estudou com afinco, e após participar na missa pediu a um padre para receber o baptismo. Alguns meses mais tarde, no dia 1 de Janeiro de 1922, era baptizada Edith Stein.

Deseja entrar no Carmelo mas por conselho de alguns amigos sacerdotes, e por respeito à mãe, não o faria de imediato. Nos anos seguintes tornou-se professora no colégio das dominicanas, em Speyer. Nesse tempo traduz as cartas e os diários de Newman, além de São Tomás de Aquino. Desta maneira, mudava o seu pensamento filosófico e aproximava-se cada vez mais e com mais profundidade do cristianismo.

No ano de 1932 Edith Stein é chamada para leccionar no Instituto Alemão de Pedagogia Científica, em Munique, mas alguns meses mais tarde, com a subida de Hitler ao poder, foi demitida, pois era público a sua ascendência judaica. Edith Stein viu no acontecimento o momento oportuno para entrar finalmente no Carmelo, o que veio acontecer no dia 15 de Outubro de 1933, recebendo o nome Teresa Benedita da Cruz.

O regime torna-se cada vez mais hostil para com os judeus e emite em 1935 novas leis racistas. A mãe de Edith, que considerou a sua conversão uma traição ao povo judeu, morre em 1936, sem que ambas se tivessem reconciliado.

Stein segue os seus estudos no Carmelo, onde lê Santa Teresa e São João da Cruz. Em 1936 nasce a sua maior obra filosófica: “Ser finito e Ser eterno”. Embora desejasse partilhar “a sorte” do seu povo, Edith muda-se do convento de Colónia para o de Echt na Holanda em 1938.

Alguns meses mais tarde começa a 2.ª Guerra Mundial e no ano de 1940 também a Holanda é ocupada. Edith, tranquila, escreve, com base na obra de São João da Cruz, o seu último livro, que deixou incompleto: “A ciência da Cruz”. Ciência que estaria perto de adquirir, pois no dia 2 de Agosto as tropas alemãs tomam o convento de Echt. Teresa Benedita da Cruz, com a sua irmã Rosa, que se havia convertido ao catolicismo, são levadas primeiro para o campo de concentração de Westerbork e depois para Auschwitz, na Polónia, onde se supõe que tenham morrido nas câmaras de gás no dia 9 de Agosto de 1942.

Edith Stein viria a ser beatificada por João Paulo II a 1 de Maio de 1987, e no ano de 1998 foi canonizada pelo mesmo papa, que em 1999 a declarou co-padroeira da Europa."

REFLEXÃO

 Uma leitura dos textos de Edith revela claramente seu forte compromisso com o reconhecimento e desenvolvimento da mulher, assim como o valor da maturidade da vida cristã na mulher, como uma resposta para o mundo. Edith foi reconhecida pelo seu silêncio, sua calma, sua compostura, seu autocontrole, seu consolo para com outras mulheres, seu cuidado para com os mais pequenos.

ORAÇÃO
Senhor, Deus de nossos pais,
Tu conduziste a Santa Teresa Benedita
à plenitude da ciência da Cruz
ao momento de seu martírio.
Enche-nos com o mesmo conhecimento;
e, por sua intercessão,
permite-nos sempre seguir em busca de ti, que és a suprema Verdade,
e permanecer fiéis até a morte
à aliança de amor ratificada pelo sangue de teu Filho
pela salvação de todos os homens e mulheres. 
Te pedimos por nosso Senhor, Amém! 


Fontes: 
L. Oliveira Marques

SNPC - Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura 

http://www.snpcultura.org/id_edith_stein.html
Portal A12
http://www.a12.com/santuario-nacional/santuario-virtual/santo-do-dia/09/08
http://www.acidigital.com/biografias/testigos/stein2.htm

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