quinta-feira, 23 de abril de 2020

HOMILIAS FREI PATRÍCIO

QUEM VEM DE DEUS, FALA DE DEUS...NÓS FALAMOS DE QUEM?  João.3,31-36

O nosso amigo NICODEMOS escutou, se convenceu que JESUS vem de Deus mas não teve coragem de deixar as palavras vazias dos fariseus...
Quem vem de DEUS diz palavras de Deus onde está a verdade, quem vem da Terra diz palavras da Terra.
Devemos ter a coragem de nos colocarmos na escuta de DEUS e transmitir somente aquilo que vem de DEUS sem medo que isso nos aliene da realidade e da história.
Ser de DEUS quer dizer lutar para que TODOS + TODOS = TODOS
tenham pão, casa, estudo, respeito, dignidade, cultura, trabalho, AMOR
Isso é ter a linguagem de Deus; há duas qualidade de vida que devem caminhar JUNTAS
a vida humana
a vida espiritual
Quando há desequilíbrio não há alegria nem paz
JESUS veio para que tenhamos plenitude de vida...

Somos do céu? ou da Terra?

ORAÇÃO: MARIA do céu e da Terra rogai por nós.

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OS “QUATRO POBRES”

FICA EM CASA...

SAI DO TEU EGOISMO
Abre os olhos
E verás diante de ti desfilar como em procissão “QUATRO POBRES”

1.     POBRES FELIZES que na liberdade recusam ou deveriam recusar por escolha o consumismo, o acumulo de bens, as “gordas” contas no banco. Viver como passarinhos, contentes com o PÃO DE HOJE que o PAI DO CÉU não faz faltar (Igreja, frades, freiras que decidem ser pobres como JESUS poderiam ser ricos, mas não querem).

2. OS NASCIDOS POBRES, pobres nascidos pobres que se rebelam e lutam para ter um PEDAÇO DE PÃO sobre a mesa para si, para os filhos; queriam ser ricos e não conseguem, se vêem rejeitados pela sociedade, fechados nas favelas, escravos para viver do poder e das máfias, milhões, bilhões não querem ser pobres, NÃO ESCOLHERAM A POBREZA. Eles a sofrem invejando e maldizendo os ricos. 

3. RICOS TORNADOS POBRES
São aqueles que a sociologia se diverte em chamar “NOVOS POBRES” que usam gravata, relógio Rolex, mas comem lixo, rejeitam a si mesmos, vivem no desespero e na solidão..não tem nada mas não querem perder a aparência.
São os ex ricos que circulam atentos para não serem reconhecidos nas mesas comunitárias da caridade. São milhões que aumentam todos os dias. Os pobres com DIPLOMAS de engenheiros, artesãos, arquitetos, doutores.

4. RICOS POBRES – tem tudo, vivem de renda, se banham no ouro, pobre vida sem esperança e sem AMOR, no luxo vão que na noite solitária do CORAÇÃO não dá alegria. 

O mundo é feito de pobres
Ajudemos a ser sempre mais pobres aqueles que escolheram ser pobres (Igreja, frades e freiras,  que eles não se tornem nunca ricos de dinheiro e nos doem a riqueza da alegria.
Ajudemos os pobres nascidos pobres e os ricos tornados pobres a não ter sempre vergonha da sua pobreza e a sair da pobreza para ter a dignidade da vida.
Rezemos pelos RICOS para que saibam sair da escravidão da riqueza e compartilhar com aqueles que são pobres e não querem ser pobres. 

O mundo será feliz quando haverá somente os pobres que por AMOR a JESUS escolhem ser pobres e lutam para não ser nunca RICOS de dinheiro mas compartilharão a riqueza da alegria, da paz. Riqueza que só Deus pode dar. 

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A VIDA E A MORTE

Árvore florido
cheio de frutos
Sementes caídas
no terreno fértil
da nova
Vida.

morte
Folhas cadentes
sepulcro
das sementes caídas
que ressurgindo
farão
nascer
céus novos
e Terra nova 

Oráculo
Do SENHOR
DEUS
Da vida e
Da morte

quarta-feira, 22 de abril de 2020

22/04/20 - LECTIO DIVINA: QUARTA-FEIRA DA SEMANA II DO TEMPO PASCAL

LEITURA I AT 5, 17-26

Naqueles dias, o sumo sacerdote e todo o seu grupo, isto é, o partido dos saduceus, enfurecidos contra os Apóstolos, mandaram-nos prender e meteram-nos na cadeia pública. Mas, durante a noite, o Anjo do Senhor abriu as portas da prisão, levou-os para fora e disse-lhes: «Ide apresentar-vos no templo, a anunciar ao povo todas estas palavras de vida». Tendo ouvido isto, eles entraram no templo de madrugada e começaram a ensinar. Entretanto, chegou o sumo sacerdote com o seu grupo. Convocaram o Sinédrio e todo o Senado dos israelitas e mandaram buscar os Apóstolos à cadeia. Os guardas foram lá, mas não os encontraram na prisão; e voltaram para avisar: «Encontramos a cadeia fechada com toda a segurança e os guardas de sentinela à porta. Abrimo-la, mas não encontramos ninguém lá dentro». Ao ouvirem estas palavras, o comandante do templo e os príncipes dos sacerdotes ficaram muito perplexos, perguntando entre si o que se tinha passado com os presos. Entretanto, veio alguém comunicar-lhes: «Os homens que metestes na cadeia estão no templo a ensinar o povo». Então o comandante do templo foi lá com os guardas e trouxe os Apóstolos, mas sem violência, porque tinham receio de serem apedrejados pelo povo.

Compreender a palavra
O anúncio da palavra de Deus que os Atos dos Apóstolos nos relatam mostra o êxito da palavra e como ela se propaga por toda a parte fazendo conversões entre as multidões. Mas é visível também a oposição daqueles que se fecham à palavra e se sentam no trono do medo para não perderem os seus direitos e os seus postos de poder e influência. As autoridades enfurecem-se contra os apóstolos porque eles não se calam, porque arrastam multidões. Metem-nos na cadeia, mas a Palavra de Deus não pode ser encarcerada. Enquanto uns se enfurecem outros rompem as cadeias, vencem a perseguição e soltam amarras para anunciar o evangelho. De um lado o poder medroso com a força das armas e das leis, de outro a fragilidade com a força do evangelho. Uns enfurecem-se outros anunciam sem medo.

Meditar a palavra
Corajosos e obstinados estão presentes ao longo de toda a história da Igreja e do mundo. A obstinação dá lugar à intolerância que gera violência. A Palavra de Deus abre os corações e liberta do medo. A raiva que enfurece os sábios não deixa ver o espaço que se abre aos simples e humildes nem a força que rompe as cadeias da opressão e deixa passar a notícia que salva. Os obstinados, cegos, “ficaram perplexos… tinham receio” perante a novidade operada pela palavra de Deus naqueles homens simples. O medo não deixa ver e a obstinação só conhece a linguagem das armas. Mas os simples vencem porque confiam no poder da verdade que vem de Deus e que eles anunciam. É uma ordem de Deus “Ide apresentar-vos no templo, a anunciar ao povo todas estas palavras de vida”.

Rezar a palavra
À tua palavra lançarei as redes. Fizeste de mim pescador de homens como fizeste com Pedro e João e deste-me uma rede para lançar e pescar para o teu reino os corações perdidos da casa de Israel. Agora, Senhor, abre o meu coração para acolher a tua palavra que me salva e me envia a anunciar aos meus irmãos. 

Compromisso
Sem medo e com a coragem dos apóstolos vou anunciar a palavra da vida.

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EVANGELHO JO 3, 16-21

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigênito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigênito de Deus. E a causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque eram más as suas obras. Todo aquele que pratica más ações odeia a luz e não se aproxima dela, para que as suas obras não sejam denunciadas. Mas quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus».

Compreender a palavra
O diálogo com Nicodemos torna-se numa catequese de Jesus. No texto de hoje Jesus fala sobre a vontade que Deus tem de salvar o homem. A explicação de Jesus é muito forte. A noite de Nicodemos precisa da luz de Jesus para compreender. Se ele não se deixar invadir pela luz condena-se porque teve a oportunidade ao seu alcance e não se deixou iluminar. Nicodemos é confrontado com a força destas palavras e fica em silêncio.

Meditar a palavra
As trevas podem dominar-me ao ponto de não ver a salvação de Deus que é como uma luz que se projeta sobre mim. Se deixo as trevas tomarem conta da minha vida, acabarei amando mais as trevas do que a luz. Chegarei a pensar que a mentira é verdade. Quero abrir a minha vida à fé em Jesus para me tornar lugar de vida eterna.

Rezar a palavra
Tu me amaste, Senhor, até ao ponto de entregares o teu filho. Tu preferiste-me a mim ao teu filho, permitindo que ele passasse pela morte para que eu possa alcançar a vida. Não permitas, Senhor, que me deixe seduzir pelas trevas a ponto de esquecer a luz com que me amas.

Compromisso
Hoje vou ser luz de Deus para todos.

PASTORAL LITÚRGICA.

FREI PATRICIO SCIADINI: OS LIVROS NÃO NOS FAZEM CONHECER DEUS, SÓ A EXPERIÊNCIA

João.4,7-15

Os livros, se são histórias, teorias, não servem a nada; se contam a experiência pessoal de quem reza, quem viu DEUS, vive a caridade... então podem ajudar. Até que você não se queime com o fogo, não pode saber como queima o fogo, assim como até que você não se deixe banhar pela chuva não pode saber. Do mesmo modo, até que não reze, não se deixe amar por DEUS, não serve que outros contem, é VOCÊ que deve fazer a TUA experiência pessoal.

NICODEMOS queria saber, perguntava, mas não queria se deixar AMAR por Jesus e nem colocar em prática....é preciso esperar a nossa HORA. Era MESTRE, sabia, conhecia a ESCRITURA, mas não queria renascer no ESPÍRITO SANTO. É necessário RENASCER dentro de nós, abandonar a dureza do CORAÇÃO, mudar ideias, projetos, seguir aquilo que JESUS nos diz.

Há um novo homem, uma nova mulher que quer nascer, esta é a PÁSCOA verdadeira, fixar o olhar em JESUS no alto da cruz e quando os nossos olhos se encontrarem com os dELE compreenderemos o que quer dizer nascer de novo. Venceremos os medos, haverá em nós a luz e o AMOR, o vento do Espírito Santo nos levará longe e viveremos a nova vida.

ORAÇÃO: MARIA, que acolheu o Espírito Santo que fez nascer em ti o Verbo eterno, ajuda-nos a não nos fecharmos ao AMOR.

TODOS dizem que depois do CORONAVÍRUS mudaremos, mas se não mudar o nosso CORAÇÃO seremos os mesmos. É o CORAÇÃO que deve mudar.

terça-feira, 21 de abril de 2020

21/04/20 - LECTIO DIVINA - TERÇA-FEIRA DA SEMANA II DO TEMPO PASCAL

LEITURA I AT 4, 32-37

A multidão dos haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma; ninguém considerava seu o que lhe pertencia, mas tudo entre eles era comum. Os Apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus com grande poder e gozavam todos de muita simpatia. Não havia entre eles qualquer necessitado, porque todos os que possuíam terras ou casas vendiam-nas e traziam o produto das vendas, que depunham aos pés dos Apóstolos, e distribuía-se então a cada um conforme a sua necessidade. José, um levita natural de Chipre, a quem os Apóstolos chamaram Barnabé – que quer dizer «Filho da Consolação» – possuía um campo. Vendeu-o e trouxe o dinheiro, que depositou aos pés dos Apóstolos.

Compreender a palavra
O anúncio da ressurreição do Senhor é feito através da pregação dos apóstolos, mas também da comunhão entre aqueles que abraçam a fé, comunhão bem patente nas palavras dos Atos dos Apóstolos “tinham um só coração e uma só alma”. A vida nova que brota da ressurreição manifesta-se ainda na partilha de bens: “ninguém considerava seu o que lhe pertencia, mas tudo entre eles era comum”. Aos pés dos apóstolos tudo mudava de nome, passava de “meu” a “nossos”. São, portanto, três manifestações da ressurreição: o anúncio, a unidade e a partilha.

Meditar a palavra
A vida cristã, anúncio da ressurreição do Senhor, é uma manifestação da vida nova de Jesus através de critérios bem claro e facilmente identificáveis. Todos podem questionar-se sobre a verdade do seu encontro com Cristo ressuscitado fazendo uma análise da vida a partir destes critérios. Anuncio a ressurreição de Jesus como os apóstolos “com grande poder”, quer dizer, com convicção e sem medo? Estou unido aos que abraçam a fé vivendo com eles em fraternidade de coração e de alma? Partilho os meus bens com os irmãos de modo a que não haja necessitados na comunidade? A ressurreição não é um facto do passado nem algo exterior a mim, é um acontecimento que muda toda a minha vida numa vida para Cristo e para os irmãos.

Rezar a palavra
Abre o meu coração para ti, Senhor, a fim de acreditar que estás vivo em mim e que a tua vida de ressuscitado me ressuscita hoje para novos critérios de fé e de encontro contigo. Ilumina a minha inteligência e a minha vontade para discernir da minha relação com os irmãos e me dispor à partilha dos bens e da vida com os mais desprotegidos e carenciados, vendo neles um irmão.

Compromisso
Quero, hoje mesmo, realizar gestos de partilha e comunhão com os irmãos mais pobres.

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EVANGELHO JO 3, 7B-15

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Não te admires por Eu te haver dito que todos devem nascer de novo. O vento sopra onde quer: ouves a sua voz, mas não sabes donde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito». Nicodemos perguntou: «Como pode ser isso?» Jesus respondeu-lhe: «Tu és mestre em Israel e não sabes estas coisas? Em verdade, em verdade te digo: Nós falamos do que sabemos e damos testemunho do que vimos, mas vós não aceitais o nosso testemunho. Se vos disse coisas da terra e não acreditais, como haveis de acreditar, se vos disser coisas do Céu? Ninguém subiu ao Céu, senão Aquele que desceu do Céu: o Filho do homem. Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna».

Compreender a palavra
Diante de Jesus, Nicodemos parece ter deixado de lado a sua sabedoria, ele que é Mestre em Israel. As palavras de Jesus apenas lhe permitem balbuciar uma ou outra pergunta que Jesus aproveita para continuar a falar das coisas importantes da terra e do céu. “Como pode ser isso?” Nascer de novo, nascer do Espírito são realidades estranhas para Nicodemos. Jesus revela-lhe a profundidade do mistério de Deus, que só Ele conhece porque foi Ele quem desceu do céu. Este mistério da vida nova que vem de Deus será conhecida e participada por todos os que acreditarem naquele que será elevado como a serpente no deserto.

Meditar a palavra
Jesus apresenta-se com a autoridade de quem veio do céu e conhece a vida nova da graça de Deus oferecida ao homem no batismo que é participação no mistério pascal. Também eu, como Nicodemos, sou confrontado com esta nova maneira de viver, experimentando o novo nascimento pela água e pelo Espírito. Nem sempre consigo entender o verdadeiro alcance desta proposta de Jesus, mas acreditar que Ele, que foi elevado da terra, é o Filho de Deus que me pode salvar é uma experiência que faço todos os dias na oração, na eucaristia, no encontro com a palavra.

Rezar a palavra
Sinto a urgência de beber dessa água e desse Espírito que gera em mim a vida nova do amor de Deus. Que os meus olhos se abram para ti e na cruz encontre a fonte do mistério mais profundo que o homem pode conhecer, o mistério de um Deus que se derrama em amor até à morte para me salvar. Derrama sobre mim, Senhor, a força do teu Espírito e faz-me renascer cada dia um pouco mais até conhecer totalmente os mistérios do céu.

Compromisso
Vou meditar sobre o meu batismo e agradecer a Deus esse dom que ele me concedeu.

PASTORAL LITÚRGICA

FREI PATRICIO SCIADINI: HAVIA UM HOMEM CHAMADO NICODEMOS

João 3,1-8 At.4,23-31

Se queremos entender os efeitos da Ressurreição de Jesus devemos ler o livro mais belo que já foi escrito “OS ATOS DOS APÓSTOLOS”. Os discípulos anunciam a ressurreição de JESUS sem medo, com firmeza, com coragem, com PARESIA, que quer dizer “metendo a cara”, enfrentando tudo e todos. O Evangelho nos fala de um homem chamado NICODEMOS que de coragem tinha pouca, foi falar com JESUS de noite para não ser visto. 

JESUS é bom, nos aceita sempre a todas as HORAS, aceita os nossos pecados, desabafos, medos, dialoga conosco, fala ao nosso CORAÇÃO, com exemplos claros, mas não se entende se estamos fechados para seu AMOR, para entende-LO, acolher sua Palavra, renascer pelo Espírito Santo, ter uma vida nova.

As palavras de JESUS fazem efeito no CORAÇÃO de NICODEMOS
TEM MEDO
chegará a sua HORA para defender JESUS
NICODEMOS (vitória da noite ou vitória do povo)

Em cada um de nós há um “NICODEMOS” escondido que procura a VERDADE na noite na escura do povo e com o povo. JESUS nos espera...talvez tenhamos medo de revelar que somos cristãos, de defender. JESUS com PARESIA, “metendo a cara” diante daqueles que o negam ou como diz Teresa D’Avila “o querem crucificar uma outra  vez”. 

ORAÇÃO: MARIA, tira-me o medo de dar testemunho de JESUS. Que eu possa RENASCER de novo para ser de Cristo. AMÉM.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

LECTIO DIVINA: SEGUNDA-FEIRA DA SEMANA II DO TEMPO PASCAL

LEITURA I AT 4, 23-31

Naqueles dias, Pedro e João, tendo sido postos em liberdade, voltaram para junto dos seus e contaram-lhes tudo o que os príncipes dos sacerdotes e os anciãos lhes tinham dito. Depois de os ouvirem, invocaram a Deus numa só alma, dizendo: «Senhor, Vós fizestes o céu, a terra, o mar e tudo o que neles se encontra; Vós dissestes, mediante o Espírito Santo, pela boca do nosso pai David, vosso servo: ‘Porque se agitaram em tumulto as nações e os povos intentaram vãos projetos? Revoltaram-se os reis da terra e os príncipes conspiraram juntos contra o Senhor e contra o seu Ungido’. Na verdade, Herodes e Pôncio Pilatos uniram-se nesta cidade com as nações pagãs e os povos de Israel contra o vosso santo servo Jesus, a quem ungistes. Assim cumpriram tudo o que o vosso poder e sabedoria tinham de antemão determinado. E agora, Senhor, vede como nos ameaçam e concedei aos vossos servos que possam anunciar com toda a confiança a vossa palavra. Estendei a vossa mão, para que se realizem curas, milagres e prodígios, em nome do vosso santo servo Jesus». Depois de terem rezado, tremeu o lugar onde estavam reunidos: todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a anunciar com firmeza a palavra de Deus.

Compreender a palavra
Aprofunda-se, pela experiência própria do sofrimento provocado pela rejeição das autoridades, a consciência Pascal nos discípulos e nos primeiros convertidos. De fato, experiências como a prisão dos discípulos, neste caso Pedro e João, em nada prejudicam o anúncio da Palavra, pelo contrário, fortalecem os evangelizadores numa firmeza cada vez maior. As forças do mundo agitam-se e intentam vãos projetos, unem-se e conspiram. Primeiro contra Jesus, agora, contra os seus discípulos. As provações, porém, reúnem os discípulos em oração, edificam a comunidade num só coração e numa só alma, o Espírito Santo manifesta-se na comunhão e eles anunciam cada vez com mais firmeza a palavra de Deus.

Meditar a palavra
É precioso este testemunho das primeiras comunidades porque ele nos revela em simultâneo a crescente consciência pascal, a sua ligação a Jesus ressuscitado, o confronto com as forças adversas representadas nas autoridades, a presença e ação do Espírito Santo, a comunhão entre os irmãos e o objetivo principal, o anúncio da palavra. De fato, a vida da Igreja de hoje, como a experiência de cada cristão, não pode fugir deste contexto. O reconhecimento de Jesus ressuscitado mediante o anúncio da Palavra, juntamento com a ação do Espírito, são essenciais na conversão daqueles que aderem à fé. O testemunho de comunhão e fortaleza dos membros da comunidade são imprescindíveis para os que se aproximam da fé. E a oposição das forças do mundo que se lançaram contra Jesus e, agora, se voltam contra os cristãos, exercem um papel no discernimento e na opção pessoal. É nesta consciência que somos chamados a viver o tempo Pascal.

Rezar a palavra
Pela tua Palavra cheguei à fé e pelo teu Espírito fui iniciado no mistério da tua salvação, dá-me, agora, Senhor o dom do discernimento para reconhecer que só tu és o Senhor e o dom da fortaleza para permanecer junto aos meus irmãos, num um só coração e uma só alma, animando-os nas adversidades, consciente de que este mundo não tem poder contra ti nem contra a tua vontade.

Compromisso
Através da oração vou crescer na confiança diante da adversidade.

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EVANGELHO JO 3, 1-8

Havia um fariseu chamado Nicodemos, que era um dos principais entre os judeus. Foi ter com Jesus de noite e disse-Lhe: «Rabi, nós sabemos que vens da parte de Deus como mestre, pois ninguém pode realizar os milagres que Tu fazes se Deus não está com ele». Jesus respondeu-lhe: «Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer de novo não pode ver o reino de Deus». Disse-Lhe Nicodemos: «Como pode um homem nascer, sendo já velho? Pode entrar segunda vez no seio materno e voltar a nascer?» Jesus respondeu: «Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que nasceu da carne é carne e o que nasceu do Espírito é espírito. Não te admires por Eu te haver dito que todos devem nascer de novo. O vento sopra onde quer: ouves a sua voz, mas não sabes donde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito».

Compreender a palavra
O diálogo com Nicodemos está centrado sobre o mistério do batismo. Esta temática é muito própria do tempo Pascal porque é o tempo em que os recém-batizados tomam consciência do mistério realizado por Deus na Vigília Pascal, com a celebração dos sacramentos da iniciação cristã. Nicodemos é um fariseu e, como tal, pertencia ao grupo dos que entendiam que João não tinha poder para batizar. Ao dirigir-se a Jesus é confrontado com a necessidade de nascer de novo para entrar no reino. Nicodemos parece não entender, mas Jesus deixa bem claro que está a falar do Batismo que ele rejeita e deixa ainda claro que este não depende da consideração de cada um. Trata-se de uma ação do Espírito Santo que não se deixa aprisionar.

Meditar a palavra
Quero tantas vezes entender as coisas de Deus à minha maneira e reduzi-las aos meus conceitos. Por isso me perco na pobreza de ideias vazias de conteúdo que acabam por não dizer nada. Jesus propõe-me uma vida interior, uma vida no Espírito. Para esta vida é necessário nascer de novo pela água e pelo Espírito. Acolher o Espírito Santo e deixar-me conduzir por ele é o segredo para uma vida nova.

Rezar a palavra
“Não te admires”. Tudo o que tu fazes e o que tu dizes é admirável e queres que eu não me admire, Senhor. Meus olhos veem e o meu coração sente essa força extraordinária do teu Espírito em mim. Não posso senão ficar admirado, maravilhado com a vida nova que me ofereces nos teus sacramentos.

Compromisso
Vou prestar atenção a este vento do Espírito, que vai passar por mim hoje e me chama a ser um homem novo pela água e pelo Espírito.

PASTORAL LITÚRGICA.

FREI PATRICIO SCIADINI: MARIA DE MADALENA, A QUEM JESUS TINHA EXPULSADO 7 DEMÔNIOS É ESCOLHIDA COMO ANUNCIADORA DA RESSURREIÇÃO

 Mc.16,9-15


OS apóstolos não acreditam em MARIA MADALENA, era difícil pensar que ELE tivesse aparecido antes a uma mulher que tinha sido possuída por 7 demônios. Nem mesmo quiseram crer nos dois discípulos  que fugiram para voltar para suas casas e O tinham reconhecido no PARTIR o PÃO. JESUS perde a paciência com os onze “ESCONDIDOS” no Cenáculo, aparece para eles, os censura pela dureza do CORAÇÃO e pela INCREDULIDADE
E diz a eles: “IDE PELO MUNDO INTEIRO E ANUNCIAI O EVANGELHO A TODA CRIATURA!”

Deus escolhe quem quer para ser anunciadores da sua ressurreição, os apóstolos pensaram que MARIA Madalena e os discípulos contavam mentiras, difundiam “fake news”. É sempre perigoso não crer em quem nos anuncia o Evangelho, a verdade do Evangelho não é ciência nem pessimismo, é sempre vida, paz, alegria.

MARIA de Madalena liberta dos 7 demônios foi escolhida para anunciar a ressurreição e quem tinha fugido por medo e desilusão mereceu reconhecer JESUS no PARTIR o pão. Todos podemos vencer o pecado e ser escolhido para ir pelo mundo anunciando que JESUS ressuscitou.  

ORAÇÃO: MARIA de Nazaré que fostes a primeira a ver JESUS ressuscitado, ajuda-nos a crer em quem O anuncia a nós e não sermos duros de CORAÇÃO. AMÉM.

domingo, 19 de abril de 2020

FREI PATRICIO SCIADINI: NO CORAÇÃO DE JESUS HÁ SÓ AMOR MISERICORDIOSO

 João 20

Hoje, no domingo depois da Páscoa, São João Paulo II instituiu a Festa da Divina Misericórdia, era o ano de 1992. Não havia no calendário litúrgico, mas a misericórdia de DEUS desde sempre é o AMOR que nos doa fé, coragem para pedir perdão dos nossos pecados. 

No CORAÇÃO DE JESUS encontramos a plenitude da misericórdia que nos mostrou o seu AMOR com a paixão, morte e ressurreição. O Evangelho deste domingo é o cântico da misericórdia, da ternura de Jesus ressuscitado que convence os apóstolos que RESSUSCITOU através do amor.

Diz TRÊS VEZES visitando os apóstolos:
A PAZ ESTEJA CONVOSCO
Com misericórdia convida Tomé a colocar o seu dedo nas chagas da Paixão
as mãos
os pés
o peito
fonte de misericórdia

ELE o corrige com misericórdia, não ser incrédulo, mas crer.
É na misericórdia que somos perdoados pelos pecados
É por isso que JESUS doa este Ministério da MISERICÓRDIA aos seus apóstolos e neles à IGREJA.

O beijo, o abraço, a carícia de JESUS MISERICORDIOSO a quem se perde na vida comove sempre o coração, nos coloca de joelhos, nos faz pedir perdão e mudar de vida.

O Papa Francisco passará à história como o Papa da misericórdia. E ele mesmo MISERICORDIOSO proclamou o Ano da Misericórdia e nos ensina o caminho da misericórdia.  
Se podem celebrar os anos da misericórdia mas é responsabilidade de cada um de nós tirar a dureza do CORAÇÃO, os mantos da indiferença, do egoísmo e deixar-se imergir no oceano da misericórdia de DEUS.

ORAÇÃO: MARIA, MÃE DA MISERICÓRDIA ajuda-nos a não ter nunca medo de DEUS “MESMO SE TIVESSE NA CONSCIÊNCIA OS MAIORES PECADOS, TERIA SEMPRE CONFIANÇA NA MISERICÓRDIA DE DEUS” (Santa Teresinha do Menino Jesus).


sábado, 18 de abril de 2020

18/04/20 - LECTIO DIVINA - SÁBADO DA OITAVA DA PÁSCOA

LEITURA I AT 4, 13-21

Naqueles dias, os chefes do povo, os anciãos e os escribas, vendo a firmeza de Pedro e de João e verificando que eram homens iletrados e plebeus, ficaram surpreendidos. Reconheciam-nos como companheiros de Jesus, mas, como viam diante deles o homem que fora curado, nada podiam replicar. Mandaram-nos então sair do Sinédrio e começaram a deliberar entre si: «Que havemos de fazer a estes homens? Que se realizou por meio deles um milagre, sabem-no todos os habitantes de Jerusalém e não podemos negá-lo. Mas para que isto não continue a divulgar-se entre o povo, vamos intimá-los com ameaças que não falem desse nome a ninguém. Chamaram-nos então e proibiram-nos terminantemente falar ou ensinar em nome de Jesus. Mas Pedro e João responderam: «Se é justo aos olhos de Deus obedecer-vos antes a vós que a Ele, julgai-o vós próprios. Nós é que não podemos calar o que vimos e ouvimos». Depois de novas ameaças, puseram-nos em liberdade, pois não encontravam modo de os castigar, por causa do povo, uma vez que todos davam glória a Deus pelo que tinha acontecido.

Compreender a palavra
As autoridades não têm argumentos diante do homem curado e diante da firmeza dos discípulos convictos da ressurreição de Jesus. Já não é possível esconder a verdade, pois ela é conhecida de todos os habitantes de Jerusalém. A surpresa é enorme tendo em conta a fragilidade dos instrumentos que transportam a mensagem. Resta a intimidação que é a arma dos imbecis. Mas aqueles que estão marcados pela experiência da ressurreição não podem calar. Obedecer a esta ordem é ir contra o que há de mais sagrado neles, a verdade que os olhos viram e os ouvidos ouviram.

Meditar a palavra
O conhecimento de Jesus passa por uma experiência pessoal, um encontro real, uma comunicação interior que não se esquece nunca mais. A força deste encontro marca a vida para sempre. Anunciar Jesus não é dizer coisas sobre ele, nem comunicar conhecimentos adquiridos nos livros, mas falar da própria experiência. É a fé que faz falar e não a sabedoria humana. E é esta convicção que surpreende os ouvintes, porque ninguém pode contradizer o que nós experienciamos na primeira pessoa e anunciamos com firmeza. Eu vi! Eu ouvi! Eu estava lá! Passou-se comigo! Não há argumentos contra esta certeza. “Nós é que não podemos calar o que vimos e ouvimos”.

Rezar a palavra
Dá-me Senhor, a firmeza nas palavras, que elas brotem da minha experiência pessoal contigo, do meu encontro contigo. Que a fé nasça em mim não por ouvir contar, mas por ter vivido o mistério da tua ação salvadora em mim. Eu era um coxo e tu levantaste-me do chão. A minha vida não tinha rumo e tu deste-me um caminho. O meu coração estava vazio e tu deste-me a esperança.

Compromisso
Não vou calar o que vi e ouvi na minha experiência de fé.

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EVANGELHO MC 16, 9-15 

Jesus ressuscitou na manhã do primeiro dia da semana e apareceu em primeiro lugar a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios. Ela foi anunciar aos que tinham andado com Ele e estavam mergulhados em tristeza e pranto. Eles, porém, ouvindo dizer que Jesus estava vivo e fora visto por ela, não acreditaram. Depois disto, manifestou-Se com aspeto diferente a dois deles que iam a caminho do campo. E eles correram a anunciar aos outros, mas também não lhes deram crédito. Mais tarde apareceu aos Onze, quando eles estavam sentados à mesa, e censurou-os pela sua incredulidade e dureza de coração, porque não acreditaram naqueles que O tinham visto ressuscitado. E disse-lhes: «Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda a criatura».

Compreender a palavra
Marcos termina o seu evangelho com este texto. Relata a sequência de aparições de Jesus. Primeiro aparece a Maria Madalena, depois aparecem a dois discípulos que seguiam o seu caminho. Finalmente aparece aos onze. Mostra que não é fácil acreditar na ressurreição de Jesus, nem sequer para aqueles que o conheceram. Maria Madalena vai anunciar aos onze e eles não acreditam, os dois discípulos que o encontraram no caminho também vieram anunciar e os onze não acreditaram. Por isso Jesus os censura pela sua incapacidade para acreditar. Não acreditaram no testemunho daqueles que o tinham visto ressuscitado. Parece tão despropositada a notícia que é difícil para eles acreditar. Mas, ainda assim, envia-os a anunciar o que lhes foi anunciado e que eles não quiseram acreditar.

Meditar a palavra
A atitude de Jesus repete-se em muitas pessoas do nosso tempo e até mesmo em nós. Quando queremos entender o mistério da ressurreição acabamos por não compreender e sentimos a dificuldade em acreditar. Queremos ver para crer. É necessário o anúncio alegre, decidido e corajoso, repetido uma e outra vez, para que se rompa a nossa surdez e caiam as escamas que nos impedem de ver nas palavras de Jesus a força de uma promessa já realizada nele. 

Rezar a palavra
Rompe a minha surdez para acolher o anúncio da tua ressurreição como uma notícia feliz que fazes chegar até mim através dos meus irmãos mais simples. Rompe a minha surdez para que escute com o coração as palavras que geram vida eterna dentro de mim. Rompe a minha surdez para não ficar fechado nas minhas certezas pois elas não são a vida que procura. Rompe a minha surdez para acreditar que estás vivo em mim e à minha volta. Rompe a minha surdez para que, acreditando, te anuncie a todos.

Compromisso
Escuto os simples para viver a vida nova da ressurreição.

PASTORAL LITÚRGICA.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

17/04/20 - LECTIO DIVINA - SEXTA-FEIRA DA OITAVA DA PÁSCOA

LEITURA I AT 4, 1-12

Naqueles dias, estavam Pedro e João a falar ao povo, depois da cura do coxo de nascença, quando surgiram os sacerdotes, o comandante do templo e os saduceus, irritados por eles estarem a ensinar o povo e a anunciar a ressurreição dos mortos que se verificara em Jesus. Apoderaram-se deles e, porque já era tarde, meteram-nos na prisão, até ao dia seguinte. Entretanto, muitos dos que tinham ouvido a palavra de Deus abraçaram a fé e o número de homens elevou-se a uns cinco mil. No dia seguinte, os chefes do povo, os anciãos e os escribas reuniram-se em Jerusalém, com o sumo sacerdote Anás, com Caifás, João e Alexandre, e todos os que eram da família dos príncipes dos sacerdotes. Mandaram vir os Apóstolos à sua presença e começaram a interrogá-los: «Com que poder ou em nome de quem fizestes semelhante coisa?» Então Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes: «Chefes do povo e anciãos, já que hoje somos interrogados sobre um benefício feito a um enfermo e o modo como ele foi curado, ficai sabendo todos vós e todo o povo de Israel: É em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, que vós crucificastes e Deus ressuscitou dos mortos, é por Ele que este homem se encontra perfeitamente curado na vossa presença. Jesus é a pedra que vós, os construtores, desprezastes e que veio a tornar se pedra angular. E em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos».

Compreender a palavra
O coxo de nascença continua a ser o motivo pelo qual muitos chegam à fé. Na realidade a cura daquele homem levou muitas pessoas curiosas a escutarem Pedro e João que, ao contrário do que as pessoas pensavam inicialmente, não tinham sido eles a operar o milagre. Pedro e João esforçam-se, sendo Pedro o porta-voz, por centrar em Jesus de Nazaré a tenção de todos. Este texto mostra que os discípulos aproveitam todas as oportunidades para anunciar o nome de Jesus. A circunstância de terem sido presos não os desanima, antes os motiva a fazer o mesmo anúncio às autoridades. O acontecimento salvador concentra-se em poucas palavras que as pessoas podem aprender de cor: “ficai sabendo todos vós e todo o povo de Israel: É em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, que vós crucificastes e Deus ressuscitou dos mortos, é por Ele que este homem se encontra perfeitamente curado na vossa presença. Jesus é a pedra que vós, os construtores, desprezastes e que veio a tornar se pedra angular. E em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos”.

Meditar a palavra
O conhecimento de Jesus como salvador, não é um conhecimento intelectual. Trata-se de uma experiência que acontece na vida de cada homem que escuta a palavra de Deus. Pois aquele que escuta chega à fé e a fé é reconhecimento de que, aquele Jesus que passou fazendo o bem e os homens mataram, esse mesmo, Deus o ressuscitou e constituiu Senhor. Por isso ele continua a operar milagres na vida dos crentes e, estes, percebem na realidade das suas vidas, que não há outro nome no qual possam ser salvos, a não ser no nome de Jesus.

Rezar a palavra
O teu nome és tu, Senhor. Na tua ressurreição uma força se propagou através daqueles que escutam a tua palavra e chegam à fé. Faz de mim, Senhor, um homem de fé, capaz de compreender a força do mistério que se esconde por detrás do teu nome e a grandeza da tua salvação que os sábios rejeitam, mas se revela aos simples.

Compromisso
Na simplicidade do meu coração vou repetir o nome de Jesus.

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EVANGELHO JO 21, 1-14

Naquele tempo, Jesus manifestou-Se novamente aos discípulos junto ao Mar de Tiberíades. Manifestou-Se deste modo: Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, e Natanael, que era de Caná da Galileia. Também estavam presentes os filhos de Zebedeu e mais dois discípulos de Jesus. Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar». Eles responderam-lhe: «Nós vamos contigo». Saíram de casa e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada. Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. Disse-lhes então Jesus: «Rapazes, tendes alguma coisa para comer?» Eles responderam: «Não». Disse-lhes Jesus: «Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis». Eles lançaram a rede e já mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixes. Então o discípulo predileto de Jesus disse a Pedro: «É o Senhor». Simão Pedro, quando ouviu dizer que era o Senhor, vestiu a túnica que tinha tirado e lançou-se ao mar. Os outros discípulos, que estavam distantes apenas uns duzentos côvados da margem, vieram no barco, puxando a rede com os peixes. Logo que saltaram em terra, viram brasas acesas com peixe em cima, e pão. Disse-lhes Jesus: «Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora». Simão Pedro subiu ao barco e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes. E, apesar de serem tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: «Vinde comer». Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar: «Quem és Tu?»: bem sabiam que era o Senhor. Então Jesus aproximou-Se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com o peixe. Foi esta a terceira vez que Jesus Se manifestou aos discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos.

Compreender ao Palavra
O texto da nossa reflexão relata a terceira manifestação de Jesus aos seus discípulos. A primeira vez soprou sobre eles dando-lhes o Espírito Santo. A segunda deixou que lhe tocassem para perceberem que era ele e não um fantasma. Nesta terceira manifestação ensina-os a pescar. Esta aparição de Jesus dá-se na Galileia. Os discípulos tinham passado a noite a pescar por indicação de Pedro. Não tendo pescado nada encontram-se com Jesus que para eles é um desconhecido, mas obedecem-lhe quando os manda lançar as redes para a direita do barco. No final é Jesus quem lhes dá de comer e os convida a trazer também alguns peixes que eles tinham acabado de pescar. Quem é aquele homem? Os discípulos perguntam-se, mas no fundo sabem muito bem que é Jesus.

Meditar a palavra
Sozinhos, de noite, mesmo com muito engenho as redes terminam vazias. A arte de pescar homens tem segredos que só Jesus pode revelar. Não se pesca ao acaso, nem de noite, nem sem a presença e as indicações de Jesus, o Mestre. O barco não é meu, as redes que não se rompem porque são o corpo místico de Cristo, semelhantes à sua túnica que não foi rasgada pelos soldados, é a Igreja, os peixes são homens e Jesus é quem nos senta à mesa aceitando o pouco que temos para lhe oferecer. Com Jesus as coisas não são deixadas ao acaso, mas também não são como nós queremos.

Rezar a palavra
“É o Senhor”. Tantas vezes quando não me entendem, quando não me entendo a mim mesmo, quando não entendo os outros, quando não entendo a vida e o mundo, tenho vontade de dizer “É o Senhor”. Mesmo sem ver, sem saber, sem conhecer, tenho vontade de dizer “É o Senhor”. Quando nada resulta no meu trabalho, na minha família, nos meus projetos tenho vontade de dizer “É o Senhor”. Quero dizer como João, mesmo quando não consiga acreditar nas minhas próprias palavras “É o Senhor”, porque sei que, mesmo não sabendo, és tu, Senhor quem está presente na margem do lago da minha Galileia.

Compromisso
Hoje vou reconhecer Jesus presente naqueles que não se parecem nada com ele.

PASTORAL LITÚRGICA.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

16/04/20 LECTIO DIVINA: QUINTA-FEIRA DA OITAVA DA PÁSCOA

LEITURA I AT 3, 11-26

Naqueles dias, o coxo de nascença que tinha sido curado não largava Pedro e João e todo o povo, cheio de assombro, acorreu para junto deles, ao pórtico de Salomão. Ao ver isto, Pedro falou ao povo, dizendo: «Homens de Israel, por que vos admirais com isto? Por que fitais os olhos em nós, como se fosse pelo nosso próprio poder ou piedade que fizemos andar este homem? O Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob, o Deus de nossos pais, glorificou o seu Servo Jesus, que vós entregastes e negastes na presença de Pilatos, estando ele resolvido a soltá-lo. Negastes o Santo e o Justo e pedistes a libertação dum assassino; matastes o autor da vida, mas Deus ressuscitou-O dos mortos, e nós somos testemunhas disso. Foi pela fé no seu nome que este homem que vedes e conheceis recuperou as forças; foi a fé que vem de Jesus que o curou completamente, na presença de todos vós. Agora, irmãos, eu sei que agistes por ignorância, como também os vossos chefes. Foi assim que Deus cumpriu o que de antemão tinha anunciado pela boca de todos os Profetas: que o seu Messias havia de padecer. Portanto, arrependei-vos e convertei-vos, para que os vossos pecados sejam perdoados. Assim o Senhor fará que venham os tempos de conforto e vos enviará o Messias Jesus, que de antemão vos foi destinado. Ele terá de ficar no Céu até à restauração universal, que Deus anunciou, desde os tempos antigos, pela boca dos seus santos profetas. Moisés disse: ‘O Senhor Deus fará que se levante para vós, do meio dos vossos irmãos, um profeta como eu. Escutá-lo-eis em tudo quanto vos disser. Quem não escutar esse profeta será exterminado do meio do povo’. E todos os profetas que falaram, desde Samuel e seus sucessores, anunciaram também estes dias. Vós sois os filhos dos profetas e da aliança que Deus firmou com vossos pais, quando disse a Abraão: ‘Na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra’. Foi para vós, em primeiro lugar, que Deus fez aparecer o seu Servo e O enviou para vos abençoar, afastando cada um de vós das suas iniquidades».

Compreender a palavra
Depois da cura do paralítico, Pedro percebe que é o alvo dos olhares da multidão que se questionam sobre o milagre e toma a palavra para explicar o que se passou. Na sua explicação apresenta os argumentos mais importantes que podem trazer à fé aqueles que o escutam. Primeiro esclarece que não foi ele quem curou o paralítico, foi Jesus. Que este Jesus é o mesmo que eles mataram, por ignorância, mas a quem Deus ressuscitou. Depois, usando as palavras de Jesus quando anunciava a sua paixão aos discípulos, diz que o Messias tinha que padecer. Faz a ligação entre o acontecimento pascal e o anúncio dos profetas. Finalmente, estabelece uma ligação com Moisés e com Abraão, inserindo o acontecimento central da fé cristã, a morte e ressurreição de Jesus, na história da salvação que Deus tem realizado com o seu povo, levando os ouvintes a sentir que também eles são destinatários desta boa notícia. 

Meditar a palavra
As palavras de Pedro colocam-me no centro da cena. Eu sou um destes que se perguntam, como é possível aquele homem, sendo paralítico, levantar-se de um salto e caminhar? Como é possível aquele homem que não entrava no templo, seguir Pedro e João e entrar com eles no templo? Como é possível que este homem, que estava todos os dias sentado na escada a pedir esmola, agora louve a Deus? Como é possível que este homem que não tinha vida, nem dignidade, nem futuro, agora exulte de alegria? A resposta é dada por Pedro: foi Jesus, aquele que os homens rejeitaram dando-lhe a morte, mas a quem Deus colocou como pedra angular, isto é, fez dele a causa da nossa salvação, glorificando-o. Esta era a promessa feita a Abraão e Jesus é aquele de quem falaram Moisés e os profetas. Por isso, todo aquele que se converte ao nome de Jesus será abençoado. O nome de Jesus também tem poder para realizar o mesmo milagre na minha vida.

Rezar a palavra
Em Abraão tu me abençoaste, Senhor, e me fizeste participante da promessa de salvação agora realizada em Cristo, teu filho. Que o meu coração se converta à tua palavra e o nome de Jesus me salve no mistério da sua morte e ressurreição, para poder cantar os teus louvores como o paralítico. 

Compromisso
Quero explicar aos meus irmãos o mistério pelo qual também eu fui levantado do chão.

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EVANGELHO LC 24, 35-48

Naquele tempo, os discípulos de Emaús contaram o que tinha acontecido no caminho e como tinham reconhecido Jesus ao partir do pão. Enquanto diziam isto, Jesus apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Espantados e cheios de medo, julgavam ver um espírito. Disse-lhes Jesus: «Por que estais perturbados e por que se levantam esses pensamentos nos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo; tocai-Me e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E como eles, na sua alegria e admiração, não queriam ainda acreditar, perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa para comer?» Deram-Lhe uma posta de peixe assado, que Ele tomou e começou a comer diante deles. Depois disse-lhes: «Foram estas as palavras que vos dirigi, quando ainda estava convosco: ‘Tem de se cumprir tudo o que está escrito a meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos’». Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras e disse-lhes: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia, e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas de todas estas coisas».

Compreender a palavra
Jesus ressuscitado “apresenta-se no meio” dos seus discípulos. A reação deles é natural, medo, dúvida, interrogações, inquietação. Jesus percebe e questiona-os desafiando-os a tocá-lo e a ver que é Ele mesmo. Por fim abre-lhes o entendimento como fizera aos discípulos de Emaús e recorda-lhes que eles são as testemunhas de tudo e terão que ser eles a dar cumprimento ao anúncio para que, de Jerusalém, a notícia se espalhe até que todas as nações tenham conhecimentos destes factos.

Meditar a palavra
São para mim as palavras de Jesus. Estas interrogações que ele faz aos discípulos atingem-me no mais profundo de mim mesmo: “Por que estais perturbados e por que se levantam esses pensamentos nos vossos corações?”. Mesmo sendo humanas as minhas atitudes perante a vida, Jesus espera de mim uma atitude nova. Não posso reagir como todos depois de ter feito a experiência do encontro com Ele, vivo, ressuscitado. Serei como os que pedem provas para acreditar? Terei que lhe tocar para me convencer? A sua palavra é suficiente para que se abra o meu entendimento e aceite a verdade da sua ressurreição.

Rezar a palavra
Eu sou testemunha destes fatos porque tu, Senhor, te revelaste em mim. A palavra de Moisés, dos profetas e dos salmos reflete-se em ti, nas tuas palavras e na tua vida e eu não posso deixar de ver essa realização. Tornaste-te presente na minha vida pela água e pelo Espírito, sentaste-me à tua mesa e deste-me do teu pão, experimentei o teu perdão e nunca mais posso calar esta experiência.

Compromisso
Com a minha vida vou anunciar a todos a alegria de ter experimentado o perdão que vem de Jesus.

PASTORAL LITÚRGICA

quarta-feira, 15 de abril de 2020

FREI PATRICIO SCIADINI: QUER RECONHECER JESUS? PARTA O PÃO

Lc. 24,13-35

TRÊS são as pérolas “PRECIOSAS” do Evangelho de Lucas:

1.     Anunciação da infância de JESUS ( Lc. 1-2)
2.     As três parábolas da misericórdia ( Lc, 15)
3.     Os discípulos de Emaús

...que traz o Evangelho desta quarta-feira depois da Páscoa. Uma narrativa que chega ao CORAÇÃO dos dois discípulos; é a nossa história de discípulos que creem...perdem a esperança na ressurreição, tristes, abandonam os outros, voltam ao seu  vilarejo.

JESUS caminha com eles, os provoca, não O reconhecem. Explica as escrituras, mas suas mentes não entendem. Chega a NOITE, é preciso parar, o “ESTRANHO” companheiro quer continuar o caminho, mas dois INSISTEM:

“Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando”

ELE entrou:
TOMOU O PÃO, ABENÇOOU-O, PARTIU E O DEU A ELES

Os olhos deles se abriram, O reconheceram
Sempre se reconhece JESUS no “PARTIR O PÃO”
Qual pão?
Da vida, do AMOR, do perdão, da alegria, da solidariedade, da água, da casa, do trabalho.

São muitos os PÃES que devem ser partidos e dados como oferta.
Quando você PARTE o pão você é JESUS
Quando os outros te dão o pão PARTIDO, você reconhece Jesus nos outros. E então desaparece o cansaço, não importa a noite, levantamos e nos colocamos a caminho para comunicar que reconhecemos JESUS no PARTIR o pão. 

Quando se PARTE o pão todos comem, se saciam e sempre sobra para quem chega tarde.
Aquilo que você dá não te faltará nunca
Aquilo que egoisticamente
você conserva sempre te parece pouco...

Quer reconhecer Jesus?
veja quem PARTE o pão
Quer ser reconhecido como JESUS?
PARTA o teu pão que é a tua vida.
AMÉM 

Nos momentos escuros, leia, reze os discípulos de Emaús
e a esperança será luz
na noite para você e para os outros.