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quarta-feira, 24 de julho de 2019

Momento com Deus - Lectio Divina - 24/07/19

ÊXODO 16, 1-5.9-15



Naqueles dias, toda a comunidade dos filhos de Israel partiu de Elim e chegou ao deserto de Sin, entre Elim e o Sinai, no dia quinze do segundo mês, após a saída do Egito. Toda a comunidade dos filhos de Israel começou a murmurar no deserto contra Moisés e Aarão. Disseram-lhes os filhos de Israel: «Antes tivéssemos morrido às mãos do Senhor na terra do Egito, quando estávamos sentados ao pé das panelas de carne e comíamos pão até nos saciarmos. Trouxestes-nos a este deserto, para deixar morrer à fome toda esta multidão». Então o Senhor disse a Moisés: «Vou fazer que chova para vós pão do céu. O povo sairá para apanhar a quantidade necessária para cada dia. Vou assim pô-lo à prova, para ver se segue ou não a minha lei. No sexto dia deverão trazer para casa o dobro do que apanham todos os dias». Moisés disse a Aarão: «Ordena a toda a comunidade dos filhos de Israel: ‘Apresentai-vos diante do Senhor, pois Ele ouviu as vossas murmurações’». Quando Aarão falava a toda a comunidade dos filhos de Israel, eles voltaram-se para o deserto e a glória do Senhor apareceu numa nuvem. Então o Senhor falou assim a Moisés: «Eu ouvi as murmurações dos filhos de Israel. Vai dizer-lhes: ‘Ao cair da noite comereis carne e de manhã saciar-vos-eis de pão. Então reconhecereis que Eu sou o Senhor, vosso Deus’». Nessa tarde apareceram codornizes, que cobriram o acampamento, e na manhã seguinte havia uma camada de orvalho em volta do acampamento. Quando essa camada de orvalho se evaporou, apareceu à superfície do deserto uma substância granulosa, fina como a geada sobre a terra. Quando a viram, os filhos de Israel perguntaram uns aos outros: «Man-hu?», quer dizer: «Que é isto?», pois não sabiam o que era. Disse-lhes então Moisés: «É o pão que o Senhor vos dá em alimento».

Compreender a Palavra

É curioso este episódio da travessia do deserto, antes mesmo de chegar ao Sinai, dois meses depois de terem saído do Egito. Os Israelitas começam a murmurar contra Moisés e Aarão. A fome devora-os e fá-los recordar o passado, no Egito, onde supostamente tinham panelas de carne e abundância de pão. O Senhor ouve as murmurações e chama Moisés dizendo-lhe que ele mesmo vai dar de comer ao seu povo. De manhã recolherão pão e à tarde carne. Esta decisão foi comunicada ao povo que, admirado logo na primeira manhã perguntou “Man-hu?”. O maná (Man-hu) “é o pão que o Senhor vos dá em alimento”. Deste pão cada um recolherá apenas o necessário para cada dia.
Meditar a Palavra

O homem experimenta diversas dificuldades ao longo da vida. Este caminho diário de encontro e confronto consigo próprio, com os outros e com Deus, não é fácil. O confronto com as necessidades, as limitações, os sacrifícios e as renúncias, mesmo quando é em busca de um bem maior, é um confronto sério e de grande tensão tanto a nível físico como a nível espiritual. A tentação de pensar a felicidade desejada como uma vida fácil, cômodo e com bens em abundância, é causa de muitas desilusões. As experiências passadas parecem superar o momento presente e são lidas a partir da ideia idílica de uma felicidade completa, quando na realidade não foram. É necessário olhar para a presença de Deus na trama dos acontecimentos diários, nas alegrias e tristezas, nas dores e angústias como nas esperança e sonhos. Deus ouve as murmurações e ele dá de comer ao seu povo o pão de cada dia. Pensar a vida sem Deus é pensá-la devorada pelo medo da fome. Olhar a vida como lugar de encontro com Deus é pensá-la com Moisés, como tempo do pão para hoje.

Rezar a Palavra

És tu, Senhor, quem me dá o pão para hoje. Este pão de cada dia que multiplicas pela multidão dos teus filhos para que a ninguém falte o necessário. Reconhecer que és tu quem nos dá o pão de cada dia é distribuir por todos este pão que cai do céu, vencendo o egoísmo que nasce do medo de não ter pão para amanhã. Dá-me, Senhor, a tranquilidade interior e a moderação para saber alimentar-me apenas do que é necessário para hoje e aprender a repartir com aqueles a quem o pão de hoje não chegou.

Compromisso
Hoje, alguém espera do meu pão e eu vou repartir generosamente e sem receio.

EVANGELHO: MT 13, 1-9

Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-Se à beira-mar. Reuniu-se à sua volta tão grande multidão que teve de subir para um barco e sentar-Se, enquanto a multidão ficava na margem. Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos: «Saiu o semeador a semear. Quando semeava, caíram algumas sementes ao longo do caminho: vieram as aves e comeram-nas. Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra, e logo nasceram porque a terra era pouco profunda; mas depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram, por não terem raiz. Outras caíram entre espinhos e os espinhos cresceram e afogaram-nas. Outras caíram em boa terra e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um. Quem tem ouvidos, ouça».
Compreender a Palavra

Jesus explica por parábolas o mistério do Reino. Esta parábola, das mais conhecidas, revela a força e a autenticidade da Palavra de Deus. Ela tem em si mesma a capacidade de produzir cem por um. Ao mesmo tempo Jesus ensina que, sendo poderosa, a palavra é simples e humilde como a semente, submete-se à qualidade da terra. Arrisca morrer mesmo sem razão, sem motivo, sem que daí surja o fruto esperado. A Palavra é o próprio Jesus que se sujeita à pobreza daqueles que o escutam. Arrisca ser pisado, esmagado, sufocado pela dureza, pelas interesses e pelas preocupações dos homens.
Meditar a Palavra

Sinto a força das palavras finais “quem tem ouvidos, oiça”. É como um ultimato. Torna-se um míssil que me atinge profundamente e me recorda as vezes em que a palavra não encontrou em mim qualquer reação, qualquer acolhimento, qualquer interesse. Insensível que sou, tantas vezes, à palavra, fico estéril, sem produzir o fruto esperado ou produzindo tão pouco que não justifico o empenho do semeador. Porque será que faço assim com a palavra de Deus, se presto tanta atenção às palavras dos homens? Há qualquer coisa em mim que não me deixa ser terra boa onde a palavra possa produzir em abundância.

Rezar a Palavra

Senhor, com a tua palavra, tocas a minha vida e fazes-me perceber quanto sou ingrato para contigo, por não escutar. Sinto em mim o turbilhão das minhas preocupações, o desejo imoderado das riquezas, a dureza do coração que não quer ouvir-te. Gostava tanto de ser capaz de estar no silêncio da tua presença e ouvir com o coração o que tens para me dizer. É tão difícil escutar. É tão difícil o silêncio que te acolhe. Por isso estou tão pobre e tantas vezes agitado com a minha vida. Vem, Senhor, e faz ecoar a tua palavra em mim para que me encontre e te encontre na semente que gera em mim uma nova vida.

Compromisso

Escutar é a palavra de ordem para hoje. Quero fazer silêncio para escutar o Senhor.

terça-feira, 23 de julho de 2019

Momento com Deus - Lectio Divina 23/07/19

GÁLATAS 2, 19-20

Irmãos: Por meio da Lei, morri para a Lei, a fim de viver para Deus. Com Cristo estou crucificado. Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim. Se ainda vivo dependente de uma natureza carnal, vivo animado pela fé no Filho de Deus, que me amou e Se entregou por mim.
Compreender a Palavra
Como sabemos, os judeus têm a lei como o instrumento sagrado que, cumprindo-a à letra, garante a salvação. Paulo assim pensava antes do encontro com Jesus na estrada de Damasco. Agora Paulo já não pensa assim, por isso diz “morri para a Lei, a fim de viver para Deus”. De que modo morreu Paulo para a Lei? Assumindo a morte de Cristo na cruz como lugar da sua própria morte, “com Cristo estou crucificado”. Deste modo, vive uma existência nova que não tem assento na lei mas em Cristo “já não sou eu que vivo é Cristo que vive em mim”. Daqui resulta que a vida é uma dependência de Cristo pela fé vivida no amor daquele que ama primeiro Cristo e mostra esse amor na cruz. 

Meditar a Palavra
A conversão é uma mudança na vida que atinge todos os critérios e todos os recônditos do corpo e da alma, ou seja, da pessoa toda. Não é algo que consigamos realizar só por nós. Do mesmo modo, a salvação que se opera pela fé, é dom de Deus e não conquista nossa. Quando colocamos a garantia da salvação no cumprimento da lei estamos a dizer que é pelo nosso esforço que nos salvamos. Ora, isto não é de todo verdade. A salvação é um dom gratuito de Deus, oferecido ao homem na cruz de Cristo, manifestação do amor total e generoso de Deus. Por isso dizemos que nos amou primeiro e por isso é garantia de salvação. Também por isso, ao acolher esse amor gratuito em nós, deixamos de viver para nós mesmos e passamos a viver para Cristo, deixamos que seja ele a viver em nós.

Rezar a Palavra
“Já não sou eu que vivo mas Cristo que vive em mim”. Tantas vezes digo estas palavras, Senhor. Com elas animo a exortação dos meus irmãos à conversão, com elas defino a vida cristã, com elas apresento um ideal de vida. Tantas vezes me esqueço que as mesmas palavras devem ser o motor para que a fé no Filho de Deus seja a força que me leva a viver animado pelo amor daquele que me amou primeiro. Ensina-me, Senhor, a acolher cada vez mais profundamente o dom generoso do teu amor que converte o meu coração.

Compromisso
Quero deixar tudo o que me prende e impede de uma verdadeira conversão para como Paulo deixar que seja Cristo a viver em mim.

EVANGELHO: JO 15, 1-8
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que está em Mim e não dá fruto e limpa todo aquele que dá fruto, para que dê ainda mais fruto. Vós já estais limpos, por causa da palavra que vos anunciei. Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira, vós sois os ramos. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer. Se alguém não permanece em Mim, será lançado fora, como o ramo, e secará. Esses ramos, apanham-nos, lançam-nos ao fogo e eles ardem. Se permanecerdes em Mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e ser-vos-á concedido. A glória de meu Pai é que deis muito fruto. Então vos tornareis meus discípulos».

Compreender a Palavra
João prende a nossa atenção com a força dos verbos que utiliza nesta passagem. Se repararmos nos verbos utilizados e na repetição de alguns podemos compreender a força e a vida que ele quer emprestar a este discurso de Jesus. Tudo se passa entre Jesus, o Pai e nós. Jesus é a videira, nós somos os ramos e o Pai é o agricultor. O verbo ser tem aqui um papel importante. A fé tornou-se uma forma de existência. Todos os personagens estão unidos por uma forma de existência muito intensa definida com o verbo permanecer. Fora desta relação não é possível a vida, como fica expresso pelo verbo “cortar”, “apanhar”, “lançar” e “arder” e pela afirmação “sem mim nada podeis fazer”. A vida que brota da relação com o Pai e com Jesus é o fruto desejado e faz de nós discípulos.



Meditar a Palavra
Viver nesta existência profunda que é relação com o Pai e com Jesus é tudo quanto posso desejar e tudo quanto Jesus põe à minha disposição. É Ele quem me proporciona o acesso à intimidade de Deus e a possibilidade de aí permanecer. A imagem da videira é muito feliz e ajuda-me a compreender a força da ligação necessária com Deus. Mostra-me também a fragilidade dessa relação. Quando olho os ramos novos a dar os primeiros frutos deste ano, percebo como qualquer vento os separa da videira e os faz perder a vida. Assim sou eu na minha relação com Deus. Ele é forte como a videira, mas eu sou frágil como os rebentos novos. Tenho que cuidar para não ser lançado fora.

Rezar a Palavra
“Então, vos tornareis meus discípulos”. Quero ser unidade contigo, Senhor, para receber de ti a verdadeira vida. Sinto que é frágil a minha existência e débil a minha opção por ti. Sei que os perigos são muitos e insistem em fazer valer o seu poder sobre mim. Sei também que sem ti nada posso fazer. Faz-me permanecer, Senhor, na união contigo e com o Pai para ser de verdade teu discípulo.

Compromisso

Vou identificar em mim o que não me deixa receber a vida da videira que é Cristo e vou pedir ao Pai que corte o que é necessário para permanecer na sua palavra.

Fonte: Pastoral Litúrgica


quinta-feira, 11 de julho de 2019

Momento com Deus - Lectio Divina - 11/07/19

PROVÉRBIOS 2, 1-9

Meu filho, se aceitares as minhas palavras e guardares os meus preceitos, dando ouvidos à sabedoria e inclinando o coração para a verdade; se invocares a inteligência e chamares a prudência; se a procurares como a prata e a buscares como um tesouro, então compreenderás o temor do Senhor e alcançarás o conhecimento de Deus. Porque é o Senhor que dá a sabedoria, da sua boca procedem o saber e a prudência. Ele reserva aos homens retos a sua proteção, é um escudo para os que vivem honestamente. Ele protege os caminhos da justiça, guarda os passos dos seus fiéis. Então compreenderás a justiça e o direito, a retidão e todos os caminhos da felicidade.
Compreender a Palavra

Celebramos a Festa de São Bento
O livro dos Provérbios é, como o nome indica, um livro de ditos transmitidos pelo povo oralmente, conhecidos de todos, onde encontramos a sabedoria adquirida ao longo de séculos e se percebe a sabedoria de Deus que atua no homem que procura a verdade. O trecho que temos como meditação fala de uma atitude diante da vida. Podemos procurar a satisfação pessoal, viver a preocupação pelas riquezas ou procurar a verdade, a justiça e o bem. Aquele que quer conhecer a justiça, a retidão e o caminho da felicidade, esse tem um percurso muito claro que começa por dar ouvidos à sabedoria, inclinar o coração para a verdade. A sabedoria, o conhecimento, a felicidade são também um dom de Deus por isso é importante “invocar”, “chamar”, “procurar” como quem deseja encontrar um tesouro. Chega lá aquele que vive a prudência e atua com inteligência. Este caminho é feito na confiança de que Deus protege e guarda os passos ao longo do caminho.

Meditar a Palavra

A meditação desta palavra coloca diante de nós questões muito interessantes, todas à volta da nossa atitude diante da vida e do que compõe a nossa ação e preocupação diária. Vivemos ao acaso deixando que os dias se sucedam uns aos outros sem tomarmos nas mãos o decurso dos acontecimentos e o conteúdo da vida? Palavras como “dar ouvidos, inclinar o coração e invocar” têm eco em nós em que sentido? Que escuto eu? Para onde inclino o meu coração? A quem invoco do mais fundo de mim mesmo? “Onde estiver o teu tesouro aí estará o teu coração” diz Jesus. Onde está então o meu tesouro? Que tesouro construo com as minhas buscas? Finalmente, confio que Deus protege e guarda os meus passos ao longo do caminho da vida?

Rezar a Palavra
Tu, Senhor, guardas os meus passos. Tu velas sobre a minha vida. Colocas no meu coração o sopro do teu amor e na minha boca o alento para procurar a verdade. Tu és o centro de tudo quanto deseja o meu coração, por isso, quando busco a verdade, a justiça, a retidão, é a ti que eu busco. Ensina-me os teus caminhos e conduz-me pelas tuas veredas. 

Compromisso

A minha busca pela verdade passa pelo silêncio do meu coração que escuta a voz de Deus. 

EVANGELHO: MT 19, 27-29

Naquele tempo, disse Pedro a Jesus: «Nós deixamos tudo para Te seguir. Que recompensa teremos?». Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: No mundo renovado, quando o Filho do homem vier sentar-Se no seu trono de glória, também vós que Me seguistes vos sentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou terras, por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna». 

Compreender a Palavra

Na sequência do encontro de Jesus com o jovem rico, depois do jovem se retirar e de Jesus referir a dificuldade dos ricos entrarem no Reino do Céu, Pedro apresenta a atitude dos doze em seguir Jesus e questiona sobre a recompensa que lhes cabe por tal decisão. Na resposta, Jesus deixa antever o que acontecerá no futuro. Um novo povo, fiel, vencerá Israel, o povo que não aceitou o Reino. Os seus chefes, os doze, sentar-se-ão no trono a julgar e receberão os despojos em recompensa pela fidelidade no seguimento. 

Meditar a Palavra

Sinto-me apreensivo perante a possibilidade que me é dada de participar no destino de Jesus e na sua vitória. Sei que o seu destino, a cruz, exige grandeza de alma para suportar a dor da perda, da renúncia. Sei que é necessário grande discernimento para rejeitar o que me impede de seguir Jesus até às últimas consequências. Sei também que está ao meu alcance, pela graça que me foi dada, o poder participar da glória. Mas deixarei escapar a oportunidade por um não?

Rezar a Palavra

Senhor, quero seguir-te. Quero deixar tudo para seguir contigo e experimentar o teu destino. Quero viver a experiência do desprendimento na certeza de que em ti encontrarei tudo quanto o meu coração deseja e sei que não ficarei defraudado. 

Compromisso

Vou participar com Jesus na renovação do pequeno mundo em que sou chamado a viver hoje.


quarta-feira, 10 de julho de 2019

Momento com Deus - Lectio Divina - 10/07/19

GENESIS 41, 55-57; 42, 5-7A.17-24A 

Naqueles dias, toda a terra do Egito começou a sentir fome e o povo pediu pão ao faraó em altos brados. Então o faraó disse a todos os egípcios: «Ide a José e fazei o que ele vos disser». Como a fome se estendia a todo o país, José mandou abrir os celeiros e começou a vender trigo aos egípcios. Embora a fome se agravasse na terra do Egito, de todos os países vinham ao Egito comprar trigo a José, pois a fome alastrava por toda a terra. Então os filhos de Jacob chegaram para comprar trigo, no meio dos outros forasteiros, porque a fome assolava a terra de Canaã. José tinha nas mãos o governo do país; era ele quem vendia o trigo a toda a população. Os irmãos de José chegaram e prostraram-se diante dele com o rosto em terra. Ao ver os irmãos, José reconheceu-os, mas, fingindo que lhes era estranho, falou-lhes duramente e mandou-os meter na prisão durante três dias. No terceiro dia, disse-lhes José: «Fazei o que vou dizer-vos, para salvar a vida, porque eu sou temente a Deus. Se estais de boa fé, fique um dos vossos irmãos aqui preso e vós ide levar trigo, para matar a fome às vossas famílias. Depois trazei-me o vosso irmão mais novo; assim confirmareis as vossas palavras e não morrereis». Eles assim fizeram. Então começaram a dizer uns para os outros: «Estamos a pagar o que fizemos ao nosso irmão José. Vimos a sua angústia, quando nos implorava piedade, e não quisemos escutá-lo. Por isso caiu sobre nós esta desgraça». Rúben respondeu-lhes: «Eu não vos dizia que não fizésseis mal ao menino? Mas vós não quisestes escutar-me e agora pedem-nos contas do seu sangue». Eles não sabiam que José os compreendia, porque entre José e os irmãos estava o intérprete. José afastou-se deles e chorou; depois voltou para junto deles e falou-lhes.
Compreender a Palavra
José é o irmão mais novo dos onze filhos de Jacob. A inveja dos irmãos levou-os a vendê-lo como escravo para o Egito. Os desígnios de Deus fizeram com que ele subisse na hierarquia egípcia e se tornasse um homem poderoso. Quando vem a fome sobre Israel os irmãos têm que descer ao Egito para comprar trigo e é aí que eles se reencontram com o irmão. José, que os reconhece, faz com que passem um mau momento. Sem reconhecerem irmão naquele administrador que lhes está a dificultar a vida, eles percebem que aquela provação é um castigo “estamos a pagar o que fizemos ao nosso irmão José”. Este momento é crucial para tudo o que a história da salvação tem para mostrar daqui em diante. 

Meditar a Palavra
“Onde está o teu irmão?”. Esta pergunta de Deus a Caim aplica-se também aqui nesta cena. O mal feito ao irmão mais novo, José, persegue os dez irmãos que, juntos, atentaram com a sua vida acabando por vendê-lo como escravo. Aquela decisão não se apagou das suas consciências fazendo-os viver em sobressalto permanente. Por isso é que a exigência de José os incomoda e os faz recordar do mal que lhe fizeram ”Trazei-me o vosso irmão mais novo”. Como poderiam satisfazer aquele pedido se o tinham vendido? Esta situação repete-se muitas vezes nas nossas vidas. Não podemos dizer-nos inocentes do sangue dos nossos irmãos que sofrem, que são transformados em escravos, que são traficados nas redes de mundiais, como se não tivéssemos nada a ver com o assunto. Por cada irmão que morre na travessia do Mediterrâneo, por cada criança ou adulto, mulher ou homem que é escravizado no mundo a pergunta levanta-se sobre nós “onde está o teu irmão?” e a exigência de Deus também se renova “trazei-me o vosso irmão mais novo”. Este problema social não se resolve apenas com lágrimas.

Rezar a Palavra
Senhor, hoje quero pedir-te por todos os homens que são privados da sua liberdade, da dignidade que lhes pertence pelo facto de serem pessoas e da alegria de se saberem amados como irmãos. São muitos os que, perto ou longe de nós, se sentem escorraçados e impedidos de viver com o mínimo de dignidade e respeito. Que nas nossas pequenas atitudes de cada dia saibamos manifestar os sentimentos fraternos de quem reconhece os outros como irmãos.

Compromisso
O outro homem é meu irmão, mesmo que não seja da minha raça, da minha religião, da minha posição social, ou das minhas relações familiares.


EVANGELHO: MT 10, 1-7

Naquele tempo, Jesus chamou a Si os seus Doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos impuros e de curar todas as doenças e enfermidades. São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou. Jesus enviou estes Doze, dando-lhes as seguintes instruções: «Não sigais o caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. Ide primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus».
Compreender a Palavra
Na sequência das multidões que se configuravam “sem pastor”, Jesus chama os Doze e dá-lhes o mesmo poder que Ele tem e envia-os com a mesma missão de anunciar o reino dos Céus. A indicação do nome de cada um dos doze significa que, tanto o chamamento como a missão é pessoal e atribuída directamente pelo Senhor. O envio tem duas indicações negativas e duas positivas. “Não sigais… nem entreis” e “Ide primeiro… proclamai”. Estas indicações são muito importantes para o discípulo.

Meditar a Palavra
Jesus chama para enviar. É assim que faz com os doze e do mesmo modo faz comigo e com todos. O seu chamamento acontece num momento mas não se realiza totalmente nesse momento. O seu chamamento realiza-se ao longo de toda a vida. Pela minha incapacidade de responder sempre, com a mesma determinação, Ele tem que o renovar continuamente. O seu poder manifesta-se em mim desde o meu batismo e a sua missão decorre daí. Preciso recordar na minha vida as instruções que Ele me dá para não me perder no caminho dos gentios nem nas cidades dos Samaritanos.

Rezar a Palavra
Oiço a tua voz e confio em ti, Senhor. A tua voz é para mim missão. Quero continuar com as minhas mãos, os meus pés, a minha boca, os meus olhos e os meus ouvidos, a realizar a missão que tu realizaste em favor dos homens, prisioneiros do mal. Quero ser voz do teu anúncio que é Boa Nova para os homens. Quero ser poder de Deus para que todos encontrem força e esperança no teu nome.

Compromisso
Quero responder ao desafio de Jesus “Ide… proclamai”.