quarta-feira, 11 de março de 2020

São José fundador e pai do Carmelo Descalço (Parte II)


II. A TEOLOGIA DE SÃO JOSÉ

Na Sagrada Escritura, especificamente no Evangelho, que é a alma e a fonte autêntica e verdadeira da teologia, não são muitas as palavras sobre São José, contudo são mais que suficientes para traçar uma ficha teológica do Santo, na qual se reconhece seu papel na história da salvação e suas virtudes e grandezas. Efetivamente, a partir dessas palavras a Igreja, ou seja, os Papas, a liturgia, os santos, os teólogos, os pregadores e o senso de fé dos fiéis, traçaram as linhas teológicas e espirituais de José que agora a mesma venera e exalta.

a) Dados evangélicos

O evangelho ensina claramente que José é quem transmite sua ascendência e genealogia, e com ela a descendência de Abraão com tudo o que esta significa, e, sobretudo, a descendência de Davi e as promessas do reino messiânico e eterno. Esse é o significado e a importância da genealogia de José, desposado com Maria, da qual nasce Cristo (Mt 1,1-16).

São José nos planos de Deus desempenha um papel fundamental; sem ele não teria existido um descendente de Davi, o Messias. José dá seu consentimento a esta transmissão. O Senhor lhe pede que tome Maria como esposa, porque nos planos de Deus o Messias tinha que nascer de uma virgem, mas desposada, casada com um homem justo; e este homem é José. E José com seu silêncio diz sim à embaixada de Deus, recebendo Maria em sua casa. Esta seria a importância capital do anúncio a José (Mt 1, 18-24).

José é homem justo, perfeito, e como tal agiu no momento transcendental da Encarnação do Verbo, totalmente sujeitado à vontade de Deus com uma fé cega e absoluta n’Ele. Se desposa com Maria por vontade de Deus, é em um matrimônio preparado pelo Espírito Santo, no qual somente o Espírito Santo intervém de uma maneira especialíssima (Mt 1,19).

Em razão de seu matrimônio com Maria, José é pai de Jesus, pai virginal. O evangelho confere-lhe plenamente o título de pai: “eu e teu pai estávamos te procurando” (Lc 2, 48); porque em todo o contexto do relato evangélico se compreende facilmente o conteúdo da paternidade.

Paternidade que encontra sua realização materializada no nascimento de Jesus em Belém. São José realiza as ações que precedem o nascimento de Jesus. Como esposo justo e fiel leva a mãe, próxima ao parto, a Belém; busca uma pousada digna entre amigos e conhecidos, e, ao não achar, se instala com ela em um estábulo de animais, esperando a santa chegada. Acompanha a Maria no momento de dar à luz ao filho com que o céu presenteou os dois, diz Santo Agostinho. Chegado já o fruto de seu matrimônio virginal com Maria; vê preenchida sua paternidade por obra e graça do Espírito Santo, aceitando que fosse daquele jeito, na pobreza e abandono do mundo (Lc 2, 4-7).

José, como pai, circuncida o menino no oitavo dia e lhe impõe o nome de Jesus, o que era um direito inerente à missão de pai; assim São José exerce seu domínio sobre o filho e, de alguma maneira, marca sua personalidade. Ao lhe impor o nome de Jesus, o inclui com todo direito na descendência davídica. É um ato de domínio e de sabedoria, porque o nome corresponde à essência da pessoa (Lc 2, 21; Mt 1, 20-21. 25).

José e Maria, segundo São Lucas, apresentam o menino Jesus no templo como sacerdote e como sacrifício. Ato que representa o reconhecimento dos pais da especial consagração a Deus daquele menino que tinha recebido o nome de Jesus, que quer dizer Salvador, por especial inspiração de um anjo (Lc 2, 22-24).

Na qualidade de pai de Jesus, José recebe do céu a ordem de levá-lo ao Egito para o livrar da ira exterminadora de Herodes e de trazê-lo, no seu devido tempo, à Palestina (Mt 2, 13-23).

Porque José é pai, Jesus o obedece e lhe está sujeito (Lc 2, 51).

Os sentimentos de paternidade por Jesus são tão fortes em José que, enquanto os pastores cantam as maravilhas da aparição dos Anjos, seu pai e sua mãe escutam maravilhados aquilo que é dito do menino (Lc 2, 33); e quando se perde no templo, o buscam no espaço de três dias com grande dor, “vede que teu pai e eu, preocupados, andávamos te buscando” (Lc 2, 48).

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